quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ir à missa

    Uma graça de meramente ir à igreja aos domingos é ouvir textos de dois ou três milênios atrás.

    Ouvir histórias, sem o menor espanto, que se deram 2000 antes do próprio Cristo. A partir de Abraão, conhecer vidas de patriarcas, pastores, sacerdotes, reis, guerreiros, pregadores, dos quais não há nem mais o pó dos ossos da sua décima geração de descendentes.

    Tão distantes no espaço e no tempo do nosso Estado Democrático de Direito. Ainda assim, gente exatamente como a gente com os mesmos medos e sonhos de grandeza.

    Ao longo desses milênios, o Doce Lenho sempre esteve diante dos olhos: era a Árvore da Vida do Éden, a lenha do sacrifício de Isaac, a serpente de Bronze erguida no deserto, o bastão de Jessé e, finalmente, a Cruz de Cristo.

    A Cruz, ela que se manteve intacta face à perseguição do Império Romano e ficou de pé mesmo quando ele caiu. Caiu o Império, caíram os feudos, caíram as monarquias, o estado liberal e o comunista e a Cruz continua no centro de nossos tribunais.

    Um dia, nossos tribunais também ruirão. Da nossa décima geração de descendentes não restará sequer o pó dos ossos e, pelo andar da carruagem, ainda haverá quem olhe para a Cruz e se pergunte o que aquele pobre carpinteiro, de tanto tempo atrás, fez para estar lá cima.


Recrutas

 Todo ano, as Forças Armadas incorporam cerca de 90 mil soldados recrutas.

Depois de um período de formação de até um mês em regime de internato, os recrutas passam a cumprir expedientes de 8h/dia, somados a serviços de 24h cerca de duas vezes por semana (ou mais) somando 70h semanais sem dificuldade.

O serviço de 24h exige que o militar tenha apenas 6h de sono somadas ao longo do dia (descontando o tempo de alimentação, higiene e deslocamento).


Além do serviço de 24h de sentinela armado, o soldado recruta também trabalha 24h como vigilante desarmado, com zh de serviço para cada 4h de serviços gerais ou “descanso"

Os soldados recrutas, durante o expediente, são empregados também em obras, faxina, jardinagem, mecânica, cozinha, controle de estoque etc

Obs: o serviço de 24h se dá também aos finais de semana e, nos meses de JAN-FEV, se dá, geralmente, dia sim, dia não


Conhecemos o nosso país e já não esperamos muito. Acontece que o buraco é bem mais embaixo.

Amanhã, no primeiro dia útil do mês, cerca de 90 mil soldados recrutas receberão R$ 1078,00

como pagamento por mais um mês de serviço. Isso mesmo.

Apenas 2/3 do salário mínimo.


Para não ser acusado de injusto, ressalvo que, como "adicional militar" , O recruta recebe mais R$ 122 e, como vale-transporte, entre R$ 400-600,00

Entretanto, como o Exército não é regido pela CLT, os recrutas deixam de receber outros "benefícios" a que, pra fora dos portões do qual, todos os trabalhadores fazem jus: hora extra, auxílio alimentação, adicional insalubridade, adicional noturno, adicional periculosidade...


"Mas pelo menos os militares se aposentam mais cedo, né?" Sim... Os militares concursados, chamados "de carreira". Recebem, inclusive, a integralidade dos vencimentos a partir da aposentadoria, que pode ser concedida, grosso modo, a partir dos 35 anos de serviço.

Os militares temporários, dentre os quais estão os soldados e este que vos fala, podem apenas contabilizar o tempo de serviço para a aposentadoria.

Entretanto, um ano de serviço militar é equiparado a um ano de trabalho num emprego qualquer, ainda que com, sem dificuldades, o dobro da carga horária e ausência completa das garantias trabalhistas apresentadas.


Atenção, caro leitor:

essas condições de trabalho não se dão à revelia da lei, em algum supermercado de interior, para algumas dezenas de trabalhadores.

São lei.

É a lei, com o consentimento do Estado brasileiro e do Comando das Forças Armadas, que submete, todos os anos, 90 mil jovens brasileiros a condições de trabalho que, se encontradas para fora dos portóes dos quartéis, constituiriam verdadeiros crimes contra a dignidade da pessoa humana e os valores constitucionais.


Com razão, debate-se a questão da precarização do trabalho neste país.

Discussões sobre o fim da escala 6xI, a insuficiência do salário mínimo e a necessidade da ampliação de garantias trabalhistas são comuns nos nossos parlamentos, universidades e movimentos sociais.

Mas por que deixar de lado os trabalhadores mais vulneráveis do nosso país? Por que o próprio Comando das Forças Armadas parece esquecer que metade de seu efetivo sofre em condições, de acordo com nossa própria legislação trabalhista, desumanas?


O soldado "pintor de meio-fio" não merece ser objeto das nossas piadas, para que possamos expressar nossa insatisfação com as decisões do Alto Comando de hoje e de outros tempos.

Ele é um trabalhador, como somos todos nós. É, todavia, o mais esquecido, o que sofre com a maior precarização, o mais subempregado, conquanto, quase sempre, um dos nossos melhores e mais idealistas cidadãos.

O soldado entrou nas FFAA para servir ao povo brasileiro, sabendo que isso poderia custar a sua própria vida.

Esses valores ainda estão bem vivos na sua alma.


O soldado também não merece ser objeto de nossa pena. Nunca pediu por isso. Nunca reclamou. Militar que é, pela própria legislação, não tem sequer esse direito.

Isso deveria ser motivo para que seu trabalho fosse mais valorizado.

Na prática, serve apenas para manter sucateada as nossas instituições que servem de recurso extremo quando todo o Estado se vê impotente.

Brasileiro que é, sorri mesmo nas dificuldades, brinca como qualquer jovem, mas também se orgulha da nação mais do que qualquer um.

Na guerra, é quem primeiro derramaria sangue. Que sejam reconhecidos como tal, pelo nosso povo e, principalmente, pelas nossas instituições.


Esqueci de um agravante:

a Lei 6.880 de 1980, o Estatuto dos Militares, proíbe o exercício de outra profissão ou atividade comercial aos militares.

Eu mesmo já vi o caso de um soldado que, apesar de seu bom desempenho, foi preso e mandado embora por ter sido visto por um superior fazendo "bico" de entregador à noite.

Ele trabalhava o dobro do permitido pela legislação trabalhista, ganhava 2/3 do salário mínimo e, no pouco tempo livre que The restava, foi trabalhar para ajudar a família em casa.

Preso e demitido. Legalmente.

Dona Clarice

    Dona Clarice é mãe de 3, vó de 8 e bisavó de outros 8, o que não a impede de ter cabelos tingidos de um vermelho forte. Seus pais já eram fabricantes de imagens quando ela nasceu e cada filho, a depender da idade, recebia uma função na fábrica doméstica.

    Seguiu a tradição da família e tem hoje uma loja na Feira da Torre. Conhece todos os santos e vende imagens mesmo daqueles mais desconhecidos. Só não vende crucifixos, porque diz que seu Jesus não está na cruz e também não há de voltar: já está em nós.

    Ela usava pulseiras de pedras e uma camiseta de São Jorge, mas sem o dragão. Disse que não gostava daquele bicho. Suas imagens de São Miguel Arcanjo também não tem o demônio subjugado.

    Recentemente sacou suas economias para guardar em casa, com medo de que se repetisse o mesmo que no governo Collor.

    Falou com entusiasmo do papa Leão XIV e deu-nos santinhos com a oração de São Bento.

    A pedido, seu irmão escultor, que morreu de câncer aos 57 anos, fez essa imagem, gravando nela seu próprio rosto, assim como fizera em um São Jorge.

    Uma cliente budista gostou dessa imagem do Senhor e pediu uma assim, mas que não tivesse o Sagrado Coração, a fim de se adequar às suas doutrinas. Dona Clarice se espantou: "mas como pode, um homem sem coração?"


Pontualidade como honestidade

Sem mais delongas:

A honestidade - mais especificamente, a veracidade - é a virtude que nos impele a agir ou falar conforme o que pensamos. A ela se opõe, de maneira patente, todo espécie de dissimulação, que corta o elo entre o que se pensa e o que se declara.

Por mais que haja espaço, nas nossas línguas e culturas muito espaço para nuances, subjetividade e relatividade, mas, em alguns pontos, há verdade e não se pode negar: 18h01 não é 18h02 tanto quanto 1 não é 2.

A falta de pontualidade expressa um desacordo entre o que se pensa e como se age. É claro: quando um organizador diz que tal evento terá início às 18h, o que se pode, honestamente, entender senão que tal evento terá início às 18h?

O nosso hábito de falta de pontualidade, muitas das vezes, faz com que entendamos para além da simples declaração, de uma maneira que, ainda que sem intenção, não pode deixar de contradizê-la.

É então que, de "o evento começa às 18h", se entende que "se nada acontecer (e sempre acontece), o evento deve começar lá pelas 18h10, mas não se surprendam se começar

18h20 ou depois"

Há contradição entre as duas declarações.

Não quero aqui tratar, particularmente, das causas de falta de pontualidade e nem ignorar que ela pode se dar por motivos honestos, ou seja, que não nasçam de uma descaso pela verdade do que se fala, mas sim de veras contingências.

É bom, caro leitor, falar a verdade. Vale a pena o esforço para falar somente o que imaginamos ser verdade e deixar claro quando não podemos afirmar algo com certeza.

O cuidado de falar conforme pensamos, bem como o esforço de, na medida dos nossos esforços, garantir os compromissos que fazemos,é louvável.

Mais do que isso, a honestidade é necessária para a própria existência da sociedade, que não sobrevive senão sobre o fundamento da boa-fé.

Jesus fugiu

 Jesus não nasceu Cristo. Tornou-se Cristo porque muitos, à sua época, enxergaram nele o líder enviado por Deus para restaurar o Povo Escolhido na sua soberania, destruindo os seus opressores estrangeiros e purificando-o dos inimigos internos.

Cristo, com efeito, vem do grego Xplotós (Christós), que traduz o hebraico n'uin (Mashiach/Messias) e que significa Ungido. Os reis, sacerdotes e profetas judeus eram ungidos, como sinal da aprovação e do poder que Deus lhes conferia para tomar à frente das questões públicas.

Jesus, de fato, era uma figura que chamava muita atenção: um jovem promissor que saíra do completo anonimato apenas há três anos, primo do recém assassinado pregador, o popular João Batista, que já falava com sabedoria e autoridade, denunciando a elite judaica e reunindo multidões. Muitas figuras já tinham trilhado esse caminho na história do povo judeu e, particularmente, nas décadas que precederam Jesus. Muitos já haviam dito serem messias e prometido liderar uma revolução que libertasse o povo judeu da opressão romana.

Jesus nunca esteve tão perto de mostrar a todos que era o messias enviado por Deus quanto na semana da Páscoa, em que a multidão que vinha da diáspora para Jerusalém, mais que triplicando o número de habitantes da cidade, decidiu aclamá-lo como rei. Ele, de fato, era o rei legítimo de Israel, por ser descendente do rei Davi.

A multidão contava com ele, que viu seu próprio povo tantas vezes ser violentado pelo poderio do Império Romano, que sofreu na pele a miséria a que a elite local condeva os mais pobres, que tantas vezes se compadeceu dos sofredores e deu voz às suas revoltas contra a elite farisaica.

O que Jesus fez quando contava com o apoio de toda uma multidão furiosa, membros do seu próprio povo, oprimidos pelos romanos e pelos fariseus, pronta para fazer o que fosse necessário para se libertar dos opressores? Ele se entregou.

Os fariseus foram capturá-lo justo no dia mais sagrado do ano. Pedro, o líder do seu grupo de seguidores e amigos, quis reagir à ameaça e, desembainhando a espada, cortou a orelha de um soldado romano.

Essa poderia ser a primeira gota de sangue de um mar de violência, a faísca que incendiaria toda a Judeia, se Jesus não tivesse ordenado "Pedro, guarda a espada: quem vive pela espada, morrerá pela espada".

Que Messias é esse? Que líder é esse que na maior crise de sua vida, em que contava com o apoio da multidão, não luta por um segundo sequer e até proíbe que lutem? Que libertação pode vir daí?

A multidão, que até então o acompanhava com esperança, entende que não será Jesus que o líder que será capaz de liderar a guerra de libertação do povo judeu. Ele é um falso messias. Um líder fraco. Um covarde. Um traidor e, como tal, merece ser morto. Mesmo os amigos mais íntimos de Jesus saem correndo, para proteger suas vidas.

Jesus vai a julgamento. Afinal, de que lado ele está? Os fariseus acusam-no de inimigo dos judeus e amigo dos pagãos e da ralé, a multidão o acusa de coadunar com sua opressão pelas elites, os romanos vêem nele mais um agitador do povo que ameaça seu domínio.

É então que a multidão, que só queria Jesus se ele lhes desse o sangue que tanto desejavam ver correr, decide que o sangue dele que deverá jorrar como primícias. É por isso que eles preferem, quando Pilatos - o governador romano - lhes dá a opção, libertar o assassino Barrabás e condenar Jesus à morte.

Por vil e abjeto que o assassino seja, pelo menos ele tem a coragem de sujar as mãos de sangue, de lutar pelo que acredita. Jesus não luta em momento algum. De que lado ele está?

Jesus não está de nenhum lado: ele está acima e, por isso, morre suspenso numa cruz. É tratado como revolucionário e assim crucifico logo após ter deixado claro que nunca quis uma revolução.

A seu lado está um ladrão, revolucionário, que, com a morte diante dos olhos, passa a enxergar a pequenez da causa política pela qual lutou e foi condenado e pede para ser aceito no Reino que Jesus prometeu, que não é deste mundo.

É certo que revolução alguma se dá sem multidões e Jesus, mais de uma vez, fugiu delas.

Mesmo sendo tão idealista, parecia extremamente alheio às preocupações sociais de seu tempo.

Era judeu, do povo oprimido pelo Império, mas não só curou o filho de um militar romano como disse que nunca achou fé em Israel do tamanho da que esse homem tinha. Era judeu, do povo puro escolhido por Deus, mas andava com os pagãos e pecadores. Era sábio e letrado, mas cercou-se de pescadores rudes.

Como pode Jesus ser tão insensível às questões sociais do seu tempo, tão despolitizado, pregando o perdão aos inimigos justo numa terra há séculos subjugada e a um povo tão violentado?

O absurdo não parece óbvio para nós, herdeiros políticos de tantas revoluções?

A multidão é a vontade do povo soberana, ela que derrubou o rei da França, os colonizadores do Haiti, o czar na Rússia e, agora, até o Primeiro Ministro do Nepal. Em nome da coletividade e da libertação, não há espaço para nuances e questões individuais: quanto à oportunidade, é tudo ou nada e, para combater o inimigo, todas as violências são justificadas.

Não há mais justo ou injusto quando se diz combater a injustiça, nem se restringe a violência para combater o opressor. Não há morte de inocentes, porque quem não se junta à horda revoltosa não é inocente de modo algum, mas inimigo!

Quantas crianças e idosos não foram assassinadas pelos revolucionários de que tanto nos orgulhamos, por serem eles os predecessores das nossas pujantes e modernas democracias?

As multidões, com efeito, só são possíveis com uma visão seletiva e coletiva que Jesus nunca teve, pois tratava todos com igualdade, em sua individualidade, sem fazer acepção de pessoas em razão do grupo a que pertenciam.

Não se importava se seu interlocutor era romano, judeu, samaritano, pobre, rico, homem ou mulher: a todos ouvia, individualmente, a todos acolhia, a todos perdoava, a todos admoestava e pregava a Vida Eterna.

Jesus foi aclamado por uma multidão num dia e, menos de uma semana depois, condenado à morte por ela. Não deu o sangue que ela queria e, por isso, o seu foi derramado. Ele, entretanto, que não viveu pela espada, não morreu pela espada.

Assim também é com os seus. Quem vive pela Vida Eterna há de recebê-la e, assim, fará parte da multidão enriquecida por aquilo que a traça não rói, o ladrão não rouba e nem o tempo apaga.

Não é fácil.

Cláudia

 Cláudia, que vinha andando atrás de mim na estação de metrô, disse:

- Não sou moradora de rua, nem assaltante e isso daqui - apontou para algumas cicatrizes que tinha na face - foi violência doméstica.

Ela pedia dinheiro não para comer, "porque sou adulta", mas para levar comida para sua filha em casa. Disse que, tendo denunciado o marido, sustento da casa, esperava do Estado o auxílio prometido às vítimas. Mas, como "tudo que vem do governo tem que esperar" e "só recebe auxílio quem não precisa", ela segue desamparada e, por isso, pede.

Já foi buscar auxílio nas duas igrejas católicas de Águas Claras e recebeu apenas o convite para tentar de novo no Domingo. Acontece, entretanto, que "Domingo é muito longe" e a fome é agora.

Dela não sei mais do que aquilo que trouxe.

Portanto, não podendo trazer provas incontestes da verdade de tudo que ela disse, trago apenas aquilo que recebi: o simples pedido de uma senhora.

Seu contato e chave pix é 61 98192-2739.

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OLÁ SENHORES PASSAGEIROS, ESTOU DESEMPREGADO, TENHO DOIS FILHOS E ESTOU PASSANDO POR MOMENTOS DIFÍCIL, PRECISANDO PAGAR MEU ALUGUEL, COMPRAR FRALDAS E ALIMENTOS, SE DEUS TOCAR NO SEU CORAÇÃO VOU ESTÁ AGRADECENDO MUITO QUALQUER AJUDA. BOA VIAGEM.

QUE DEUS TE GUARDE E TE ILUMINE, AMÉM...

PIX

thiaguinhosarra@gmail.com

Olá, Tudo bem? Estou aqui hoje para pedir sua colaboração, pois estou desempregada e preciso pagar meu aluguel. Se puder adquirir produtos de R$ 1,00 ou R$ 2,00. Deus te Abençoe!

Por favor devolver este papel.

PIX: 61993431465 (NUBANK - Vânia)

Para aqueles dispostos a fazer redistribuição de renda com o próprio pix, trago dois bilhetes que pedintes-vendedores que recebi hoje no metrô.

Por mais importantes que as nossas burocracias sejam, há algo que elas nunca, por si, poderão fazer: dar atenção à pessoa e não ao CPF. Há ajudas que só um ser humano pode dar e doação é uma delas.


Primeira chuva

 Fui inundado pela introspecção neste dia pluvioso, que anuncia o fim da seca.

Pensei em como a liturgia católica perde um tanto da força quando celebrada abaixo da linha do Equador, pois perdemos a coincidência, muito intencional, da comemoração da Páscoa no final do Inverno e começo da Primavera.

Cristo Ressuscitado é o Sol que volta a brilhar na Primavera, revivificando tudo que há.

Por semelhante analogia, eu faria a Páscoa em Brasília ser na primeira chuva. As cigarras seriam símbolo de João Batista e os ipês, dos profetas que precederam a Jesus.

Ainda que hajam os "sinais dos tempos", a chuva vem inesperada, "como um ladrão", sem a gradação que há entre as estações ou entre o dia e a noite. E só cair a primeira chuva e tudo se renova: ó seca, onde está tua vitória?

Só quem vive sabe o alívio imediato que a chuva trás consigo.

Não há inverno que dure para sempre e nem seca que não acabe.


"Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o Senhor, a criei." Isaías 45:8

"Esperavam por mim como quem espera por uma chuvarada e bebiam minhas palavras como quem bebe a chuva da primavera" Jó 29, 23

"Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundância e confortaste a tua herança, quando estava cansada." Salmos 68, 9

A chuva é uma imagem muito comum no Antigo Testamento, pois os judeus sofriam muito com a seca.

Um dos maiores milagres do grande profeta Elias foi trazer a chuva de volta para Israel, quando orava no Monte Carmelo.

A nuvem de chuva de Elias, que começou pequena e se agigantou conforme chegava, foi posteriormente associada na tradição cristã com a Virgem Maria que, por se fazer pequena, tornou-se grande e derrama graças sem fim.

Por fim, trago uma oração do roteiro da Missa "ad petendam pluviam" (para pedir chuva), relíquia dos tempos em que, na sociedade, Deus não era só destinatário opcional de canções devotas aos domingos, mas o verdadeiro manda-chuva do universo.

"Deus, em quem vivemos, nos movemos e somos, concedei-nos a chuva na medida certa, a fim de que, ajudados suficientemente pelos bens presentes, cheguemos com confiança aos bens eternos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que convosco vive e reina na Unidade do Espírito Santo, Deus por todos os séculos dos séculos. Amém."

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