Após já alguns meses de Faculdade de Direito, faço uma triste constatação: não está na moda gostar do Brasil.
Afinal, como gostar de um pais nascido da violentação de matas virgens, explorado pela colonização, algoz de seus primeiros habitantes e cativeiro de imigrantes famélicos? Como admirar o país da roubalheira, da ineficiência, das torturas, das chacinas, das elites inescrupulosas?
É necessário abrir o jogo: quase ninguém, especialmente nas classes dirigentes, acredita no Brasil, nesse Brasil ideal dos heróis que, a despeito dos contextos sociais lamentáveis em que viveram, souberam dedicar-se a fazer nascer e prosperar a Pátria.
Eu realmente me pergunto em quem se fiarão aqueles que só nutrem desprezo pelo Brasil no dia em que — Deus nos livre — ele seja ameaçado. Não há discordância, e nunca houve, quanto ao serem as guerras terríveis tragédias humanas, mas é fato que basta que uma força opressora queira para que uma nação se veja diante de duas opções: ou enfrenta-se um exército com outro exército ou admite-se a dissolução do sua sociedade e a consequente perda de tudo o que ela outrora já garantiu.
Se um dia estivermos entre essas duas opções lamentáveis, que sempre assombrarão qualquer agrupamento humano, será que teremos uma bandeira que nos una? Temo que não. De críticas em críticas, de ironias em ironias, sem o menor esforço público de deixar uma fagulha acesa sequer daquele orgulho nacional que nos trouxe até aqui, a Bandeira do Brasil não há de sobreviver.
Restarão, então, várias bandeiras. Aquelas que representarem os grupos mais orgulhosos e violentos hão de tremular sobre os corpos daqueles que achavam que o discurso bonito bastava. Até hoje, nunca foi diferente.
O militar, entre tantos desencantados, é aquele cuja vida não se explica senão em função da Pátria. Assim, diga-se de passagem, quem despreza, em si, as Forças Armadas, mostra que nada entende de Brasil, ou, ao menos, não entende o suficiente para amá-lo e respeitá-lo.
O que se pode esperar desses homens que param o quer que estiverem fazendo, todos os dias, para ver a bandeira subir às 8h e descer às 18h, senão uma necessidade intrínseca de que tudo isso não seja em vão? Qual a surpresa que, face ao esfacelamento do ideal nacional escancarado em cada capa de jornal, aqueles que juraram — e de coração — morrer pela Pátria se sintam desamparados?
Talvez, não acreditemos mais naquele Brasil do nosso Hino. Se assim for, é necessário coerência: queimem-se as bandeiras, dispensem-se os militares e rasgue-se a Constituição.
Até lá, que não se conceba Soberania sem tropas, leis sem patriotismo e nem farda sem bandeira.
Entretanto, enquanto houver um soldado sequer prestando continência para o Presidente da República, reconhecendo naquele homem sórdido o defensor supremo do Brasil, que nossas vidas sejam para fazer valer todas as frases bonitas que nossos pais e avós, um dia, já cantaram.
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