"Minha alma sangra quando a favela chora porque a favela tem família. Se tirar o fuzil da mão existe o ser humano" Oruam
É importante lembrar desse homem atrás do fuzil.
Quem é ele?
De um lado, ele sobe o morro cumprindo ordens, de pessoas que nem conhece, que têm intenções alheias às suas próprias. Do outro, ele guarnece o morro em que mora e se esconde atrás de inocentes.
De um lado, ele recebe salário, de R$ 3,500 até R$ 10.000, dinheiro que vem dos impostos que o Estado recolhe para gastar com a nossa segurança. Quanto recebe o outro?
Quem paga? Com que dinheiro? Sabemos muito bem a resposta.
De um lado, ele carrega consigo o peso, muito necessário, da preocupação institucional e social com a legalidade e a humanidade dos seus atos. Do outro, mortes brutais e demais violências constituem mecanismos essenciais da constituição de seu grupo.
De um lado, as limitações legais e econômica da força policial. Do outro, um verdadeiro arsenal de guerra usado sem o menor melindre.
O sangue de todo homem atrás do fuzil é vermelho.
Como sempre, há gente que ganha com a morte alheia.
Esses conflitos não surgiram do nada, mas interessam a muita gente.
O policial de baixo escalão é uma das vítimas da corrupção, que o obriga a entregar à própria vida numa guerra sem sentido. A guerra é cruel com todos.
Enquanto agente público, é a mão armada do Estado, mas a verdade é que "o sistema entrega a mão pra salvar o braço".
Enquanto indivíduo, o policial pode e deve ser punido pelos seus delitos. Mas enquanto instituição, por corruptos que seus membros possam ser, a Polícia é uma instituição essencial do Estado Brasileiro.
Não se pode aceitar que a instituição e que seus membros honestos sejam vistos como parte do problema e não da solução dessa ameaça à nossa soberania chamada crime organizado.
No meio de tantas injustiças, não sejamos nós a cometer mais uma.
Há, sim, diferença essencial entre agentes públicos no exercício da sua função e membros de facções criminosas.
Há, sim, circunstâncias em que qualquer cidadão pode legitimamente matar. Isso não diminui o peso do acontecimento.
Hoje, houve quem usou moradores de escudo.
Hoje, houve quem se valeu de drones para lançar granadas em cima de áreas habitacionais.
Hoje, houve quem usou armas de guerra ilegais compradas com dinheiro de violência.
Curiosamente, é o mesmo grupo que viola sistematicamente qualquer noção de legalidade e moralidade que consagramos na nossa Constituição.
Adivinha quem é?
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