Uma graça de meramente ir à igreja aos domingos é ouvir textos de dois ou três milênios atrás.
Ouvir histórias, sem o menor espanto, que se deram 2000 antes do próprio Cristo. A partir de Abraão, conhecer vidas de patriarcas, pastores, sacerdotes, reis, guerreiros, pregadores, dos quais não há nem mais o pó dos ossos da sua décima geração de descendentes.
Tão distantes no espaço e no tempo do nosso Estado Democrático de Direito. Ainda assim, gente exatamente como a gente com os mesmos medos e sonhos de grandeza.
Ao longo desses milênios, o Doce Lenho sempre esteve diante dos olhos: era a Árvore da Vida do Éden, a lenha do sacrifício de Isaac, a serpente de Bronze erguida no deserto, o bastão de Jessé e, finalmente, a Cruz de Cristo.
A Cruz, ela que se manteve intacta face à perseguição do Império Romano e ficou de pé mesmo quando ele caiu. Caiu o Império, caíram os feudos, caíram as monarquias, o estado liberal e o comunista e a Cruz continua no centro de nossos tribunais.
Um dia, nossos tribunais também ruirão. Da nossa décima geração de descendentes não restará sequer o pó dos ossos e, pelo andar da carruagem, ainda haverá quem olhe para a Cruz e se pergunte o que aquele pobre carpinteiro, de tanto tempo atrás, fez para estar lá cima.
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