Sem mais delongas:
A honestidade - mais especificamente, a veracidade - é a virtude que nos impele a agir ou falar conforme o que pensamos. A ela se opõe, de maneira patente, todo espécie de dissimulação, que corta o elo entre o que se pensa e o que se declara.
Por mais que haja espaço, nas nossas línguas e culturas muito espaço para nuances, subjetividade e relatividade, mas, em alguns pontos, há verdade e não se pode negar: 18h01 não é 18h02 tanto quanto 1 não é 2.
A falta de pontualidade expressa um desacordo entre o que se pensa e como se age. É claro: quando um organizador diz que tal evento terá início às 18h, o que se pode, honestamente, entender senão que tal evento terá início às 18h?
O nosso hábito de falta de pontualidade, muitas das vezes, faz com que entendamos para além da simples declaração, de uma maneira que, ainda que sem intenção, não pode deixar de contradizê-la.
É então que, de "o evento começa às 18h", se entende que "se nada acontecer (e sempre acontece), o evento deve começar lá pelas 18h10, mas não se surprendam se começar
18h20 ou depois"
Há contradição entre as duas declarações.
Não quero aqui tratar, particularmente, das causas de falta de pontualidade e nem ignorar que ela pode se dar por motivos honestos, ou seja, que não nasçam de uma descaso pela verdade do que se fala, mas sim de veras contingências.
É bom, caro leitor, falar a verdade. Vale a pena o esforço para falar somente o que imaginamos ser verdade e deixar claro quando não podemos afirmar algo com certeza.
O cuidado de falar conforme pensamos, bem como o esforço de, na medida dos nossos esforços, garantir os compromissos que fazemos,é louvável.
Mais do que isso, a honestidade é necessária para a própria existência da sociedade, que não sobrevive senão sobre o fundamento da boa-fé.
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