Fui inundado pela introspecção neste dia pluvioso, que anuncia o fim da seca.
Pensei em como a liturgia católica perde um tanto da força quando celebrada abaixo da linha do Equador, pois perdemos a coincidência, muito intencional, da comemoração da Páscoa no final do Inverno e começo da Primavera.
Cristo Ressuscitado é o Sol que volta a brilhar na Primavera, revivificando tudo que há.
Por semelhante analogia, eu faria a Páscoa em Brasília ser na primeira chuva. As cigarras seriam símbolo de João Batista e os ipês, dos profetas que precederam a Jesus.
Ainda que hajam os "sinais dos tempos", a chuva vem inesperada, "como um ladrão", sem a gradação que há entre as estações ou entre o dia e a noite. E só cair a primeira chuva e tudo se renova: ó seca, onde está tua vitória?
Só quem vive sabe o alívio imediato que a chuva trás consigo.
Não há inverno que dure para sempre e nem seca que não acabe.
"Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o Senhor, a criei." Isaías 45:8
"Esperavam por mim como quem espera por uma chuvarada e bebiam minhas palavras como quem bebe a chuva da primavera" Jó 29, 23
"Tu, ó Deus, mandaste a chuva em abundância e confortaste a tua herança, quando estava cansada." Salmos 68, 9
A chuva é uma imagem muito comum no Antigo Testamento, pois os judeus sofriam muito com a seca.
Um dos maiores milagres do grande profeta Elias foi trazer a chuva de volta para Israel, quando orava no Monte Carmelo.
A nuvem de chuva de Elias, que começou pequena e se agigantou conforme chegava, foi posteriormente associada na tradição cristã com a Virgem Maria que, por se fazer pequena, tornou-se grande e derrama graças sem fim.
Por fim, trago uma oração do roteiro da Missa "ad petendam pluviam" (para pedir chuva), relíquia dos tempos em que, na sociedade, Deus não era só destinatário opcional de canções devotas aos domingos, mas o verdadeiro manda-chuva do universo.
"Deus, em quem vivemos, nos movemos e somos, concedei-nos a chuva na medida certa, a fim de que, ajudados suficientemente pelos bens presentes, cheguemos com confiança aos bens eternos.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que convosco vive e reina na Unidade do Espírito Santo, Deus por todos os séculos dos séculos. Amém."
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