quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Só para me irritar

 Pelo menos por uma vez na vida, já tivemos a impressão de que alguém estava fazendo algo só para nos irritar.

Sabemos bem como como se parece: o olhar é desafiador, o tom de voz é estranhamente amigável e a fala, minuciosamente medida para nos tirar do sério.


Hoje, eu tive uma forte impressão de que o Instagram quer me irritar.

Não só ele: até o Youtube e o X (que surpresa) parecem estar

conspirando contra a minha paz.

Não é de hoje.

Todo dia, notícias ruins.

Comentários idiotas. Comentadores exaltados. Discussões fúteis.

Conteúdo surpreendentemente vazio, quase sempre feito por robôs e, cada vez mais, feito para robôs.


Lembrei, então, que já há anos que todos nós sabemos disso. Os donos das redes sociais não são pessoas que querem o nosso bem e não criaram e atualizam essas plataformas em consideração do nosso melhor interesse.

Num contexto social tão polarizado, eis pelo menos uma opinião que creio ser consenso: nós não temos relacionamentos saudáveis com as redes sociais.


Faz tempo que nós nos acostumamos com esse negócio vicioso de, em troca de um punhado de informações rasas e algumas conveniências, ceder horas do nosso dia, abrir mão de tantos momentos de descanso e lazer e colocar em jogo, por vezes, a nossa própria saúde mental.

Desistimos até, em certo sentido, da nossa própria autonomia. Sim, caro leitor: afinal, já houve tempos em que ninguém lia e ouvia senão aquilo que escolhia. Não havia feed infinito com conteúdo recomendado e patrocinado para nos eximir do inglório ato de decidir.


Já percebemos, há anos, que não estamos numa situação razoável. O saldo é negativo. As consequências da ubiquidade dessas plataformas geridas por empresas e pessoas inescrupulosas têm se mostrado desastrosas. Não é verdade?

Há internet para além das redes sociais.

Há conhecimento offline.

É difícil resistir e eu mesmo falho toda vez que tento, mas não consigo aceitar que o futuro da humanidade está preso a um ambiente tão hostil aos nossos melhores interesses.

Até quando?

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