terça-feira, 5 de agosto de 2025

“Jesus, o maior marketeiro de todos os tempos”

     “Jesus, o maior marketeiro de todos os tempos”

    Tive a infelicidade de ser importunado por um post com esse título mais de uma vez neste Instagram. 

    Jesus, definitivamente, não era marketeiro. Em primeiro lugar, porque era, isso sim, carpinteiro.    Carpinteiros não vão ao mercado oferecer seus serviços, mas são procurados em suas próprias oficinas. O carpinteiro trabalha solucionando problemas mediante demanda, sendo recompensado pelo seu suor e ressarcido pelo material. O carpinteiro só trabalha na sua oficina e sua meta é atender com esmero a cada cliente, depois de ouvi-lo atentamente.

    O marketeiro, que se traduz por comerciante, é o homem que não produz nada, mas ganha em cima de promessas. Vantagens! De quê? Como? Quanto? Isso ele te há de mostrar após uma longa conversa. O comerciante precisa ir atrás de clientes, agradá-los. Ele tem uma meta pré-definida, uma proposta já planejada e apenas busca aquele que, com mais ou menos bate-papo, há de aceitar. Se for um comerciante dos bons, saberá vender qualquer coisa a qualquer um e, com isso, encher os bolsos.

    Espanta, se paramos para pensar, como Jesus parecia não se importar muito com sua própria missão. Só começou a pregar depois dos 33. Nunca escreveu nada. Passava grandes períodos isolado. Só andava com um pequeno grupo de homens irrelevantes. Se pregava às multidões, não fazia muita questão de que entendessem. Na maioria das vezes, só agia após insistentes pedidos. Não foi atrás e nem aceitou alianças com povo, os religiosos ou com o governo. Não insistia e raramente se estressava.

    Pasmemos nós modernos ao perceber que o Ecônomo divino nunca considerou fazer uma planilha sequer para otimizar seu plano de redenção. Não contou ganhos, não traçou metas, não aprimorou processos, nem reviu seu posicionamento e, definitivamente, não investiu um centavo sequer em propaganda. 

    Jesus, definitivamente, era um bom carpinteiro. Tinha muita certeza do que era capaz de fazer e cumpria tudo com excelência, mas só mediante demanda de soluções sólidas. Sabia que quem não sabe pedir também não sabe aproveitar. Espera, pacientemente, que peçamos e quis nos ensinar a pedir. A encontrar, no fundo da nossa alma, o desejo da felicidade, o único necessário, o único de verdade.

    Se tinha um produto, era algo tão material quanto uma cadeira: a beatitude. Beatitude que não se compra e definitivamente não se vende, não na correria dos mercados e a preço de algo menos do que tudo. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ir à missa