Curioso que sou, gosto de brincar com a IA.
Noutro dia, traduzi milhares de versos medievais para português moderno. Já editei uma apostila completa de latim em poucas horas. Hoje fiz, em cerca de apenas duas horas, um plano de negócios completo que aborda, detalhadamente, centenas de detalhes de marketing, conteúdo, divulgação, posicionamento, planejamento e design. Tudo isso, há apenas cinco anos atrás, seria inconcebível. Levaria meses, quiçá anos, de trabalho duro. E muito dinheiro.
A Revolução Digital e o consequente desenvolvimento da indústria permitem otimizar, cada vez mais, todos os aspectos da nossa vida. Tudo aquilo que sempre foi feito pode ser feito mais e melhor! Nessa, também ganhamos muitas necessidades que nossos ancestrais jamais imaginariam. Faz parte.
No entanto, no meio de toda essa profusão de produtividade, sempre vejo e revejo, mesmo nos propulsores desse processo, recaídas na admiração da simplicidade. E é sobre ela que eu gostaria de falar hoje.
Simplicidade.
Saber rir sem vídeos curtos, dormir sem remédio, pensar sem cursos, ser saudável sem dieta, comprar sem propaganda, amar sem pílulas, rezar sem livros e trabalhar sem depender de mais ninguém. Assim como faziam nossos primeiros pais.
Não acho que o mundo escapará dessa revolução da produtividade. Houve tempos em que se dizia que "o tempo devora tudo", mas hoje até o próprio tempo parece ser devorado pela tecnologia. Já viu quantas horas você passa sem propósito no celular?
Nós, entretanto, se quisermos viver, precisaremos atender ao apelo da simplicidade. Ainda que de vez em quando, faz bem recuperar o espírito daquele Diógenes que, podendo pedir qualquer coisa a Alexandre, o Grande, o conquistador de todo o mundo, pediu-lhe somente que saísse da frente do Sol.
Jesus mesmo não nos coíbe a ambição. Não diz "não desejem, não conquistem, não façam e aconteçam". Entretanto, nos convida a refletir: "de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?”
Igualmente famosa é sua história com Alexandre, o Grande, que, ao encontrá-lo, ter-lhe-ia perguntado o que poderia fazer por ele. Acontece que devido à posição em que se encontrava, Alexandre fazia-lhe sombra. Diógenes, então, olhando para Alexandre, disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixa-me ao meu sol"). Essa resposta impressionou vivamente Alexandre, que, na volta, ouvindo seus oficiais zombarem de Diógenes, disse: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes."
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