sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Considerações digestivas sobre sushi

    Na culinária quotidiana, a maioria de nós busca a maneira mais barata de bater a mais simples cota dos mais importantes nutrientes. O nosso arroz-com-feijão (que até virou expressão) é simples, barato e praticamente supre tudo que precisamos para seguir em frente.

    O sushi, por outro lado, é uma comida que visa algo além da mera nutrição. Nutre, evidentemente, mas nutre não só o corpo. Na medida em que é uma arte, uma maneira de se fazer algo tida por desnecessariamente custosa se não fosse bela, nutre também o espírito, aquela parte do "eu" que transcende a mera individualidade do corpo.

    Todas as etapas rituais de preparação do sushi, o próprio fato de geralmente ser consumido não quantidade, mas por diversidade, aliadas ao fato de cada unidade conter apenas uma pequena parcela do total preparado (um quadradinho de um peixão), atestam para a comunitariedade da refeição.

    Postar foto de sushi nos stories me lembra de quando ouvia no discurso comum sobre um certo tipo de pessoa, geralmente adolescente, tão fútil - e, portanto, tão diferente das pessoas normais - que era capaz de fazer algo "por aprovação social, para se sentir parte de algo".

    Já pensei que quem postava foto de sushi nos stories era desse tipo fútil, influenciável.

    Hoje, graças a Deus, entendo que aquilo que eu acredito ser normal pode ser lido como fútil por alguma outra pessoa com uma vida diferente da minha. Graças a Deus, entendo que tudo que fazemos e, vou mais longe, tudo que precisamos é fazer parte de alguma coletividade.

    Não há como escapar da tal "influência da sociedade". Nós, ainda que reneguemos nossa família, nosso país e todas as instituições, dificilmente conseguimos fazê-lo em outra língua que não aquela oficial de nosso país, que nos foi ensinada por nossos pais e preservada por nossas instituições. Qualquer outra linguagem - e aqui quero falar sobre mais do que idioma - que usemos para nos enxergar e nos expressar é parte de alguma coletividade e, portanto, serve primariamente para o tão temido "ser aceito"

    Coletividade que nos restringe, mas apenas no sentido de que o pincel restringe a pintura.

    A vida segue nossa, para fazermos o que bem entendermos.


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