O tenente tem o quê?
O existente existe, o agente age.
E o tenente? O tenente tem. Tem o quê?
O posto das Forças Armadas chamado "tenente" é, na verdade, uma abreviação de "lugar tenente" , nome que se preserva nos exércitos americano e francês, por exemplo, como "lieutenant".
O lugar que o tenente "tem", no sentido de "ocupar", é o do capitão. Ou seja, o (lugar)tenente é ninguém menos do que aquele que, dependendo de um capitão, faz as suas vezes quando necessário, servindo-lhe de vigário, de "longa manus". Essa falta de autocefalia (capacidade de governar se a si próprio, do grego "auto: a si" + "kéfalos: cabeça), o que fica evidente também ao denominarmos o tenente por "oficial subalterno".
O capitão, por sua vez, é aquele que encabeça (do latim "caput: cabeça"). Ele é o chefe de uma companhia de soldados, com cerca de 120 homens. No exército romano, o comandante de um grupo de cerca de 100 (um cento) de homens chamava-se CENTVRIO, centurião. O nome lugar tenente também já foi usado fora do contexto militar em outras épocas, como, por exemplo, para falar do Lugar tenente d'El-Rei, representante da Coroa Portuguesa na então incipiente República. Também os senhores feudais, donos das terras na Idade Média, já foram chamados "terratenentes".
No Exército Português, equivale ao nosso posto de segundo-tenente o chamado "alferes". Aprendi que alferes, historicamente, é o porta-bandeira da unidade, função hoje em dia desempenhada no Exército Brasileiro pelo aspirante-a - (aquele que deseja ser) - oficial. Inclusive, "alferes" pode ter vindo do termo latino "aquilifer, aquele que carrega a Águia", o estandarte sagrado das legiões romanas. "Alferes" também é o nome de uma crônica de Machado de Assis que trata da construção da nossa imagem pessoal em função das ехрectativas alheias sobre nós.
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