Ouvi falar de uma monja. Disseram-me que estava com Alzheimer e câncer, sinais da sua própria decadência e iminente partida para a tumba.
Eu vi essa monja. Não havia decadência alguma naquela mulher. Naquele corpo envelhecido, o olhar brilhante guardava a certeza da eternidade, mas não só de uma eternidade que sucedesse a vida terrena: ali mesmo, atrás daquelas grades e na absoluta irrelevância da sua vida reclusa, silente e solitária, após cinco décadas sem sair de uma chácara numa cidade satélite de um país de terceiro mundo, ela já vivia a eternidade.
A dedicação exclusiva em olhar para si e para o sacrário deu-lhe um coração que o mundo não pode conter.
Enganava-se quem pensasse que era uma muleta que ela segurava enquanto conversava. Pela dignidade com que segurava aquela haste de metal, tive a certeza de que não poderia ser uma muleta: era, isso sim, um cetro, com o qual ela, junto a seu Esposo, subjugava o mundo inteiro.
“Ó morte, onde está tua vitória?”
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