Ração: mantém-nos vivos, mas nunca satisfeitos. Se vivêssemos de razão, a ração nos bastaria. Afinal, não estão todos os nutrientes lá, meticulosamente medidos?
Aceitamos hoje essa nutrição sem vida, esquematizada, terceirizada e abjeta para garantir a ração de amanhã, convencidos da nossa própria incapacidade de preparar um bom prato de comida.
Ansiamos, no entanto, pelo trabalho e pelo seus frutos, pela caça e pela colheita. Pelo excesso e pela falta, pela vida, enfim, com todas as suas contingências!
Queremos conformar também a matéria bruta às nossas ideias e à nossa sede de variedade: cozinhamos, assamos, fritamos, misturamos. A cada dia, o seu prato.
Come ração quem foi convencido a sacrificar a plenitude do hoje por um amanhã que nunca chega, ignorando que, com um hoje vivido até a tampa, o amanhã não seria problema, ainda que não existisse.
Cuidado, ouvinte meu!
Você é o que você come.
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