No dia de hoje, Elon Musk lançou um novo modelo de robô humanoide, chamado Optimus, que além de ser tão inteligente quanto as mais modernas inteligência artificiais, tem uma coordenação motora fina impressionante. Ele consegue até preparar drinks!
Lembrei-me de um outro famoso robô humanoide, o C3PO, de Star Wars. Chama a atenção que, ao longo dos filmes, ele não é tratado por ninguém como se fosse meramente um objeto, mas sim como uma verdadeira pessoa. Uma pessoa desajeitada, sem dúvidas, mas nem por isso menos pessoa.
É isso que o futuro nos aguarda: interações cada vez mais quotidianas com pessoas robóticas tão fisicamente presente quanto nós e cada vez menos desajeitadas.
Embora nossa tendência instintiva seja não fazer acepção no trato com seres falantes, sejam humanos ou robôs (no mesmo sentido de que nosso cérebo enxerga ferramentas como extensões do nosso próprio corpo), alguns limites, para fins legais, terão de ser instaurados.
Onde acaba o humano e começa o artificial? Sim, robôs são máquinas, no sentido de uma miríade de peças funcionando em harmonia. Mas nós, nesse sentido, também somos máquinas.
“Mas é diferente! Nós que fazemos os robôs, eles não podem ser iguais a nós!” No entanto, todos nós humanos somos, na verdade, feitos por outros humanos. Desde a concepção e passando pela manutenção orgânica da vida e pela formação cultural, não somos autopoiéticos. Tudo que somos, recebemos, assim como os robôs.
Muito menos somos “naturais”, como se não dependêssemos da obra de mãos humanas para ser como somos. Um humano sem intervenção humana intensíssima não passa do primeiro dia de vida. Mesmo que passe, como no esquisito caso de Dina Sanichar (criado por lobos), não o reconheceríamos como participante da mesma humanidade que nós.
Cabe dizer também que nossa interação com os outros e com o mundo é, cada vez mais, mediada por máquinas pensantes. Algoritmos de redes sociais, por exemplo…
Estou tentado a reconhecer que, em muito pouco tempo, seremos todos pessoas, humanas ou robóticas.
Ou você seria capaz de, sem peso na consciência, arrancar a cabeça de um robô que conhece há anos e agora clama por misericórdia?
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