"Os olhos de todos esperam em vós, Senhor, e distribuis a cada um sua comida no tempo oportuno. Vós abris a vossa mão e encheis de benção a todo animal" Sl. 144, 15-16
Esse versículo é entoado, tradicionalmente, pelos monges beneditinos antes de suas refeições. Vejam que imagem bonita: uma multidão de olhinhos esperançosos e famintos, certos de que a mão misericordiosa do Senhor se estenderá, distribuindo não só o necessário para a subsistência, mas também uma graça que preenche a alma até a tampa.
Há muito que penso nesses olhinhos esperançosos. Nenhuma tendência revolucionária de nossa época consegue minar certa hierarquia social, que, por sua vez, vem carregada de certos preconceitos. Nós, assim, inevitavelmente criamos expectativas quanto aos mais velhos, ou àqueles que figurem numa posição "superior" a nossa. Esperamos que um chefe conheça mais a empresa do que um funcionário, que um sargento corra mais do que um recruta e que um professor saiba mais que o aluno, ao menos na sua disciplina. Também, que um velho tenha mais boas maneiras que uma criança. E nos espantamos quando isso não acontece. Também imputamos a esses "superiores" uma virtude inata, que faz com que tenhamos em alta conta e em grande peso suas palavras e exemplos. Quem não se recorda do conselho de um colega mais velho na escola, ou guarda com mágoa uma repreensão dura de um professor?
É importante, todavia, lembrar que nós também ocupamos esse espaço de prestígio na vida de muitas pessoas, ainda que raras vezes tomemos consciência disso e da responsabilidade que acarreta. Em cada círculo social por onde andamos, há sempre alguém que nos olha com esses olhinhos brilhantes, esperando nosso exemplo e prestes a recolher qualquer palavra nossa como se fosse o conselho mais precioso. Pode parecer que não, mas sempre há. E o nosso exemplo, ainda que pontual, pode marcar toda uma trajetória de vida, assim como a nossa vida ja foi marcada pelo exemplo de outros. O convite do dia: ser o exemplo que as pessoas que esperam em nós merecem ter.
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