domingo, 11 de janeiro de 2026

O cristão começa no batismo

    O cristão começa no batismo.

    Batismo, por sua vez, é um mero helenismo. Em grego, não designa nada espiritual, mas, tão somente, o ato de mergulhar. João era Batista porque, em ritos de expiação dos pecados e conversão, mergulhava seus seguidores no rio Jordão. A simbologia é óbvia: quem está sujo, se limpa com água.

    Hoje, a Igreja comemora o dia em que Jesus foi mergulhado por João. Ao invés de ouvir, como Ele diria a tantos depois, “seus pecados estão perdoados”, Todos puderam ouvir dos Céus: “este é o meu Filho amado”.

    Esta cena representa a diferença entre a visão de outras seitas judaicas da época e a visão daqueles que, em alguns anos, seriam chamados de cristãos. O batismo não é um rito de purificação, que se pode fazer tantas vezes quanto se imunde (do latim i-{partícula de negação} + mundus {limpo}). É um símbolo de morte (a submersão, em que se desaparece) e renascimento enquanto filho de Deus e, portanto, participante da vida divina, num só corpo e comunidade (ekklesia, Igreja).

    Hoje, lembrei de como, apesar de a piedade popular de todos os séculos ressaltar a distância entre o humano e o divino, a liturgia (ação pública) da Igreja está sempre a nos lembrar da divindade dos cristãos. 

    São muito sinais. Por exemplo, dizemos que as Escrituras são Palavras de Deus, mas somos nós que a proclamamos. O padre faz suas as palavras de Cristo e diz, segurando pão, “este é o meu corpo”. Comemos um só pão, dividido entre todos, que é Cristo.  Se a liturgia é padronizada, é para reforçar a comunidade dos cristãos em que, dadas as particularidades inerentes e inescapáveis, todos e cada um fazem, uma só coisa, que é exatamente o que Cristo fez nesta terra.

    Hoje, impressionou-me particularmente a incensação dos fiéis. Incenso significa apenas “aquilo que é queimado” (do latim incendere, queimar). Para muitos povos, era uma das oferendas apresentadas em adoração às divindades. Quando o imperador romano Décio quis garantir a integridade do império em 250 d.C. expurgando os ímpios, exigiu que cada cidadão, na presença de uma autoridade, oferecesse incenso a uma imagem sua ou de uma outra divindade. Os cristãos preferiam morrer.

    Na liturgia cristã, o incenso segue sendo queimado como oferenda ao único Deus, mas é oferecido em sinal de honra a tudo que, à sua maneira, é sagrado. O altar, o sacerdote, o crucifixo, as imagens, o pão e o vinho, o Corpo e Sangue de Cristo, mas, também, o povão. 

    Cada um presente na Igreja recebe honras divinas, porque é divino. Afinal, é, enquanto homem, imagem de Deus. Enquanto cristão, filho de Deus. Enquanto comunidade, é corpo de Cristo. Enquanto participantes do banquete nupcial do Cordeiro, une-se à nossa humanidade a mesma divindade que rege Céus e Terra. 

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