A Boa Notícia (do grego evangelion) que Jesus pregou e representa não é a conquista da saúde, a vitória sobre os opressores, a liberdade do cativeiro, o acúmulo de bens e confortos e nem mesmo a obtenção da sabedoria ou das virtudes.
É a certeza de que nada disso importa. O doente, oprimido, preso, pobre, sujo, ignorante e vagabundo, que vive em Cristo Jesus, não morre quando morre. Não perde quando perde, porque nunca houve nada a perder. A abundância de Cristo sempre foi o único necessário.
Não há como, lendo os Evangelhos, confundir Jesus com alguém que tolere o medo da morte em qualquer de suas conotações. Ele abraça os imundos sem a menor pretensão de vestir-lhes um terno. No mesmo sentido, enxerga e denuncia os homens respeitáveis da época, apegados demais à vida, ainda que seja à vida eterna.
O Cristianismo não surgiu como uma crença de fazer pequenos reparos nas vidas das pessoas, para nos motivar a dar mais o gás na academia e focar nos estudos, acordar cedo e comer vegetais. Desde o começo, o convite de Jesus era para"abandonar tudo". A vida após o encontro com Cristo é outra. Se não é, não houve encontro. Não com o Cristo real, o dos Evangelhos.
Por isso, creio que se perde muito do potencial da mensagem cristã quando se a trata como algo que ilumina pessoas certinhas, como um plus na vida de quem, malemal, vive uma vida boa. Pessoas que creem estar com a vida bem encaminhada não se convertem. Para tal, é necessário assumir que há algo de fundamentalmente errado conosco.
Irremediavelmente.
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