sábado, 22 de janeiro de 2022

O direito que você deveria ter, mas o Instagram impede

 


        Há tempos que nós permitimos que a estrutura da nossa vida humana fosse significativamente alterada, e de tal modo que pouco se pode dizer que há em comum entre a nossa infância e adolescência e a de nossos pais. Se você, leitor, tem a minha idade, poderá muito bem lembrar que essa discrepância sempre nos foi dada a conhecer: afinal de contas, quem é que jamais teve que escutar um "no meu tempo..."? E quem é que não deu de ombros ao que seguia essa expressão, vendo-o com a importância de uma notícia da semana passada? "Pfff, por favor. No seu tempo poderia ser assim, mas agora as coisas são diferentes, entendeu?". Nós nunca estranhamos o jeito com que vivíamos nossas vidas. Os computadores, e quiçá smartphones, estão em nossas mãos desde antes que elas tocassem um lápis para escrever o nosso próprio nome. Da televisão, então, nem se fala. Um breve esforço da memória nos trará a mente lembranças de tardes e tardes em frente a ela, cujos programas eram o que regulava a nossa vida  e abençoava a nossa existência, por vezes negligenciada por aqueles que nos trouxeram ao mundo. Nós sempre soubemos que nossa vida é diferente; mas, afinal de contas, como poderia ser diferente?
          Para mim sempre será curioso que a maioria daqueles que fazem questão de nos alertar sobre as más consequências do uso dessas tecnologias jamais acreditou no que falava e jamais agiu como se aquilo nos fizesse mal de verdade. Não estou bastaria aqui um "vai ficar sem celular até amanhã", porque isso é um castigo, e castigos implicam que se está privando alguém de uma coisa boa como consequência de uma má ação. Ora, não é necessário nenhum estudo de Harvard (embora haja muitos) para concluir, depois de anos escancarando as portas da nossa alma para esses aparelhos, que o celular, como o conhecemos hoje, não é uma coisa boa. Que credibilidade para nos dizer que o celular faz mal poderia ter um adulto que trata o celular como algo bom, ele mesmo o usando horas e horas a fio todos os dias? Tendo visto que eles mesmos eram os primeiros a embarcar inocentemente em qualquer novidade tecnológica que aparecesse, nós prontamente seguimos o exemplo. Parecia que não só nós, mas também eles estavam convencidos de que "os tempos agora são outros" e de que o mundo como eles conheciam, e do qual poderiam ter tantas razões para crer que era melhor, já estava com os dias contados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ir à missa