Uma das circunstâncias que mais favorece a inação é a abundância. Naturalmente, para que caçar se já tenho carne suficiente aqui para muitos dias? Há também a inação que nasce não só da abundância de bens, mas também de multiplicidade de possibilidades que a acompanha. Para esclarecer mais, consideremos a realidade de muitos jovens deste país. Diferente do que se passava há algumas décadas, hoje pode-se dizer que a maioria não passa necessidade: come bem melhor que seus ancestrais e tem acesso, ainda que aos trancos e barrancos, à educação e à saúde. Some-se a isso a internet, a que a imensa maioria tem acesso diário. O que temos aí? Uma multidão de pessoas a que as circunstâncias não impulsionam.
Não há, para esses jovens, a força da morte, da familia ou da honra que os constranja a agir. Há, ainda, outro complicador: a internet mostra, centenas de vezes por dia, milhares de vidas possíveis. Apresenta, por vezes, opiniões e exemplos amplamente contraditórios sobre as mesmas escolhas. Inesgotavelmente. Quem jamais conseguiria esgotar todos os reels do Instagram ou vídeos do Youtube, por exemplo, sobre carreira militar? É aconselhável segui-la ou não? E sobre casamento: vale a pena hoje em dia? É uma infinitude de conteúdo. Mas... ..nós só temos uma vida para viver! E cada segundo gasto assistindo conteúdo, a espera de achar o caminho dourado de felicidade, é um segundo a menos construindo a própria felicidade.
Para construir a própria vida, o jovem precisa desistir e desistir muito. A internet e o conforto, aliados a aparente largueza de tempo, fazem-nos pensar que podemos ser tudo, em todo lugar, a qualquer hora, mas é mentira. É preciso desistir dessa fantasia e fincar os dois pés na realidade. Árvores só crescem tanto porque não se mexem. E são elas o símbolo de uma vida abundante e feliz: "O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano" Salmo 92, 12
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