sexta-feira, 7 de abril de 2023

A Natureza nos ensina…

    Há cerca de um ano e meio, saí para uma excursão do colégio na Chapada Imperial. Era uma oportunidade única de, saindo da sala de aula, conhecer o cerrado de verdade. Mas... imprevistos acontecem e, poucos dias antes de chegarmos, houve um incêndio na chapada. Toda a paisagem verdejante que esperávamos encontrar estava enegrecida pela fuligem e desolada pelas chamas. Nessa ocasião, aprendi algo que guardo até hoje e que, depois de vivida mais uma Semana Santa, quero compartilhar: há plantas do cerrado que só florescem depois do incêndio. Isso, que é verdade para a botânica, é verdadeiro também em um sentido muito mais elevado e espiritual. 

    Quer dizer que, se não há uma real ameaça que pareça, realmente, triunfar com sua destruição, perde-se a singular alegria que só pode vir depois de uma catástrofe. Não pode haver, nesse sentido, Domingo de Pascoa sem Sexta-feira Santa, nem redenção sem o pecado de Adão. E, se o mundo parece perder a noção de alegria, é porque, antes disso, evitamos a todo custo o sofrimento. É escandaloso para o mundo que haja um dia destinado ao luto absoluto pelo Cristo na Cruz, e é por isso que ele jamais entenderá o júbilo pascal. 

    O preço para que se possa dizer "eis que o inverno passou: cessaram as chuvas, apareceram as flores na nossa terra" é que tenha havido um inverno chuvoso, rigoroso e sombrio e, quanto pior for o inverno, melhor será vê-lo passar. Temos que ter bem claro que desejar qualquer alegria é também desejar a Cruz, sem a qual não podemos tê-la. E essa Cruz é, de fato, uma cruz. Dói, é difícil, parece que a qualquer instante sucumbiremos, chegam aflições de todos os lados; mas não há outro jeito. Urge continuar e reconhecer que estar vivo é estar correndo riscos reais e, especialmente, o de deixar de viver por medo deles. E isso não podemos fazer, jamais. Sem incêndio, sem flores.


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