É, sem sombra de dúvida, muito bom aprender: mas melhor ainda é descobrir. E é precisamente o prazer de descobrir que a escola nos tolhe, despejando o conteúdo sobre mentes que nunca moveram um só recipiente, mas sim daquele que, em primeiro lugar, o considerou recipiente, antes de tê-lo considerado gente. Gente que, por natureza, quer conhecer, já que fazê-lo é um desafio. No entanto, tira-se o fator desafiante ao encerrar a ciência nas quatro paredes da sala de aula. Tirar o desafio é tirar toda a graça. Desassociar o processo ensino-aprendizado do contato com a realidade, essa sim desafiadora, é condená-lo ao fracasso. Achatar a realidade para que caiba nas páginas de um livro didático não a torna mais fácil de ser entendida: desfigura-a de tal modo que, ao entrar em contato com as soluções geniais para problemas reais, o aluno pergunta "quando vou usar isso na minha vida?"
Sim, o homem quer conhecer: mas quer conhecer o que vê, sente, toca ou até mesmo o que imagina. Quer conhecer para poder construir um galinheiro, impressionar sua garota, pagar menos no imposto de renda e até chegar à Lua, se for esse seu desejo. Nunca, todavia, há de querer conhecer a solução para um problema que sequer lhe foi proposto antes, e, se não de fato como um problema, como impedimento para um bem desejável, ao menos como desafio.
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