Canta,ó musa,a alegria sem par
De ter e ostentar a boina garança
No cerrado seco e duro, sem mar
Em Brasilia a capital da esperança
Brandindo o nobre estandarte militar
Já por quatro anos, com garbo e pujança
Visando um Brasil intrépido e bom
E, como aluno, usando o seu dom
Declama agora a vida de Galvão
Portador de bronzeadas medalhas
Que traz boas histórias no coração
Não de icônicos feitos ou batalhas
Mas de fatos que dão lhe inspiração
Que excedem as munições das metralhas
Em número alcance e consequência,
Pois se deram em sua adolescência
Amanhece a aurora de róseos dedos
Ele se levanta, semimorto e cansado
Escuta já o assobio dos passaredos
Reza logo e, quando vê, está fardado.
No caminho, longo, mas sem segredos
Vai de casa pro Colégio amado
Onde começa então um novo dia -
-O que será de hoje? - repetia
Lá chega, e a corneta soa imponente
No mastro naval, junta-se a bandeira
Verde e amarela ao astro-rei nascente.
E ele caminha à casa verdadeira
Dos que buscam cultivar suas mentes
A biblioteca, silente e ordeira,
Onde, à mesa, se senta com três
Amigos, p'ra estudar outra vez
Todavia,o tempo não é elástico
E já é hora de outra atividade
Então, vai Galvão, num passo fantástico
P'ro teatro, lugar de felicidade
Lá, seu amigo Shumy diz, sarcástico:
"Chegou cedo"! Já estamos na metade
Da peça que em breve apresentaremos,
Mas, como estás aqui, recomecemos!"
Isso lhe toma a manhã, mas vale a pena.
Bate onze e meia; então vai pro restaurante.
Sentam-se co'ele um preto, uma morena,
Uma branca, um judeu e um imigrante.
Eis a bela diversidade brasileira!
Eis a junção de cultura vibrante
Que se pode ver e experimentar
Em Brasília e no meio militar
Agora, ele tem aula e das melhores,
Pois os bons professores, dedicados,
Se esforçam em todos os pormenores
Para que os jovens sejam aprovados,
Para que ganhem todos os escores
E, no porvir, sejam felicitados
Por destacar-se na comunidade
E por trabalhar com idoneidade
Depois disso, vai pra banda sonora
De áureos metais e estrondosas palhetas
E lá passaria dias e horas
A tocar, mas a sádica ampulheta
Se obstina em acelerar e minora
Os dobrados, as canções e o planeta.
Sem música, o que é o militar?
Sem nada pelo que viver..lutar?
Co a formatura, o grande dia é findo
Marcha enfileirada com presteza
A multidão garança que, sorrindo,
Junta as rubras boinas à grã-beleza
Do pôr-do-sol brasiliense, lindo,
Tesouro urbano, obra da natureza.
E agora, nos dois portões escolares,
Saem os jovens, e vão pros seus lares
Aos feitos do dia, o jovem acresce
A volta de carro para o seu lar
Revisa o dia e nota que cresce
Quando se entrega, e a si sabe doar.
E bastante aprenderá, reconhece,
Se, co'esforço e fé, puder imitar
Os nobres exemplos que presencia
A fim de amar o bom, com galhardia
Por falta de espaço, a musa não canta
Os clubes de astronomia e xadrez
Basquete, natação e inglês, que encantam
Quem passa por lá; e mais de uma vez
Galvão tomou café, almoço e janta
No Colégio de que fique talvez
Eternamente uma augusta memória
Porque lá se há de fazer história
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