sábado, 18 de março de 2023

Atrelando leopardos a jumentos

    Outro problema da maçante "escolarização" neste país: uma intransigente nivelação, que impõe que todos - sem considerar quão diversas são suas dessemelhanças - devem passar pelo mesmíssimo processo. Como diz C. S. Lewis, "obriga-se crianças já capazes de avançar no estudo dos clássicos da literatura universal, como Ésquilo e Dante, a ficar trancadas na mesma sala onde seus colegas lutam para soletrar 'vovô viu a uva". Atrela-se, como diz o título deste opúsculo, leopardos a jumentos. Mas calma! Eu me explico: com essa comparação, não quero, em primeiro lugar, desmerecer os jumentos que, por motivos que me são de todo ignotos e apesar dos tantos elogios que lhes dá Luiz Gonzaga, permanecem marcados no imaginário popular como símbolo da estultícia humana. Tampouco, cabe dizer, quero partir a humanidade em dois, uma parte industriosa e outra irremediavelmente lerda. Apenas digo que os jovens estudantes, como todos os humanos, progridem segundo sua vontade de progredir.

    Quando há vontade, não há obstáculo que impeça: é nessa que alunos oriundos de escolas públicas do interior vão parar na NASA. Quando não há vontade, nem o melhor dos professores é capaz de ensinar a mais simples teorema da matemática. E veja que situação, meu caro leitor: as mesmas instituições que se recusariam - com toda a razão - a admitir alunos que não querem jogar basquete em seu time de basquete, obrigam alunos que não querem estudar a ficar na sala de aula! E a ambos, os mesmos deveres, a mesma aula, a mesma grade horária. Parece justo? As escolas selecionam os melhores no esporte para torná-los ainda melhores, mas ai daquele que sugerir que se faça o mesmo com os que gostam de matemática. "Todos devem ter as mesmas oportunidades". O resultado é conhecido por todos: os ruins não melhoram e os melhores não avançam.

Mediocridade! Como esperar algo mais?






    

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