Um desabafo
De quando em quando, volto a essa feira de proporções globais chamada Instagram. Atualizo algo no perfil. Confiro as novidades. E depois de ter passado nele mais tempo do que antes acharia razoável, já sentindo as influências da sua estrutura muito bem pensada e do seu onisciente algoritmo, sinto-me como que enganado: não foi para isso que vim! É aí, então, que me vejo tomado por um ímpeto de denúncia, que com certeza não se afiguraria como tão urgente se não fosse por ver que também outros padecem do mesmo mal que a mim atinge.
Já há tempos em que o comércio tomou conta dessa rede social (como reflexo do que acontecera antes no mundo, naturalmente) e nada disso é novidade para ninguém. O grande deus comércio sempre foi muito exigente e espaçoso, mas ultimamente temos sido especialmente generosos para com ele: não só perpetuamos a mercantilização de tudo que há sob o céu, triste legado de nossos pais, mas agora até o que há sobre os céus lhe entregamos. O que é, pois, o mais novo sacrifício no altar de Mamon? Nós mesmos, que fomos criados para o Céu. Quanto mais vago pelos mais diversos perfis, não posso deixar de pensar que tudo que estou olhando são vitrines. Sim, vitrines. Com cada foto, status e postagem, pretendemos como que agregar valor a nossa pessoa, mostrar aos outros quem somos e porque nos devem apreciar. Exibimos para quem quiser ver o que há de melhor em nós. E quem que há de negar a ânsia, ainda que sutil, por aprovação que precede e sucede cada post? Quem não há de se satisfazer com o elogio recebido, por mais que ele, não surja espontaneamente do coração do próximo, mas seja como que dele extraído pela nossa exibição? E é assim, que nós, meus caros, participamos do novo mercado, cuja moeda nada mais é do que a atenção. Reificamos a nós mesmos, unidimensionalizamos a nossa personalidade: privamo-nos das rugosidades e asperezas da interação em pessoas, a fim de nos apresentarmos como que perfeitos. Perfeitamente rasos. A troco de que? Da atenção alheia, que nós é concedida e registrada nos likes e comentários, valorizando a nossa imagem, o que faz com que a próxima "transação" seja ainda mais auguriosa. E assim gira a máquina, essa máquina multibilionária, que nos coloca como hamsters a girar a roda, hora após hora, dia após dia.
Que Deus nos livre, sinceramente.
P.S.: Agradeço a ti, prezado leitor, que chegaste até aqui, mesmo que pulando o meio do texto. Podes achar, e eu mesmo estou passível de pensar assim daqui algumas semanas, que exagerei, errei a mão ou, simplesmente, errei. Nesse caso, tudo que peço de ti é que me corrija. De qualquer modo, o que você acha sobre tudo isso?
Já há tempos em que o comércio tomou conta dessa rede social (como reflexo do que acontecera antes no mundo, naturalmente) e nada disso é novidade para ninguém. O grande deus comércio sempre foi muito exigente e espaçoso, mas ultimamente temos sido especialmente generosos para com ele: não só perpetuamos a mercantilização de tudo que há sob o céu, triste legado de nossos pais, mas agora até o que há sobre os céus lhe entregamos. O que é, pois, o mais novo sacrifício no altar de Mamon? Nós mesmos, que fomos criados para o Céu. Quanto mais vago pelos mais diversos perfis, não posso deixar de pensar que tudo que estou olhando são vitrines. Sim, vitrines. Com cada foto, status e postagem, pretendemos como que agregar valor a nossa pessoa, mostrar aos outros quem somos e porque nos devem apreciar. Exibimos para quem quiser ver o que há de melhor em nós. E quem que há de negar a ânsia, ainda que sutil, por aprovação que precede e sucede cada post? Quem não há de se satisfazer com o elogio recebido, por mais que ele, não surja espontaneamente do coração do próximo, mas seja como que dele extraído pela nossa exibição? E é assim, que nós, meus caros, participamos do novo mercado, cuja moeda nada mais é do que a atenção. Reificamos a nós mesmos, unidimensionalizamos a nossa personalidade: privamo-nos das rugosidades e asperezas da interação em pessoas, a fim de nos apresentarmos como que perfeitos. Perfeitamente rasos. A troco de que? Da atenção alheia, que nós é concedida e registrada nos likes e comentários, valorizando a nossa imagem, o que faz com que a próxima "transação" seja ainda mais auguriosa. E assim gira a máquina, essa máquina multibilionária, que nos coloca como hamsters a girar a roda, hora após hora, dia após dia.
Que Deus nos livre, sinceramente.
P.S.: Agradeço a ti, prezado leitor, que chegaste até aqui, mesmo que pulando o meio do texto. Podes achar, e eu mesmo estou passível de pensar assim daqui algumas semanas, que exagerei, errei a mão ou, simplesmente, errei. Nesse caso, tudo que peço de ti é que me corrija. De qualquer modo, o que você acha sobre tudo isso?
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