quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

O escapulário do Carmo (pt. I)




 Recebi o escapulário na festa de Nossa Senhora do Carmo, das mãos de um sacerdote carmelita. À época, sabia, creio, o básico: a Virgem Santíssima apareceu a um monge inglês, São Simão Stock, deu-lhe o escapulário e prometeu que quem o usasse devotamente não seria condenado ao fogo do inferno, mas alcançaria a glória no Paraíso. Também conhecia uma promessa de liberação do terrível purgatório no primeiro sábado após a morte. Parecia vantajoso. Com certeza há pessoas, e muitas, a quem tal devoção pareça ser uma das mais supersticiosas da religião católica, e, se você é uma delas, eu te entendo. Graças aos nossos defeitos, há uma certa facilidade em considerar o escapulário como um salvo-conduto para a salvação, uma espécie de amuleto que garantiria um bom fim para nossa vida, mesmo que toda ela apontasse para outra direção. Assim, poderíamos ter, e quantos de nós já não tivemos, um entendimento insuficiente da devoção, que na sua aplicação à vida, caracteriza os devotos presunçosos de Nossa Senhora. No dizer de São Luís de Monfort: 

"Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blasfêmia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem se violentar muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdoará, que não há de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do Santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc. [...] Não há, no cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se traspassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, Seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, Ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar Seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?" TVD, Cap. III

Portanto, meu caro cético, não se preocupe. O buraco é bem mais em baixo, e alcança das fundações da nossa vida e as raízes de nossa vida espiritual, e o escapulário é só a ponta do iceberg.

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